Brasileiros e brasileiras que fazem suas compras no supermercado vêm notando há tempos: o preço dos alimentos não para de subir. Agora, aliada a alta nos valores, a população começa a enfrentar escassez de alguns itens básicos de consumo alimentar. Enquanto isso, o Governo Federal apela ao “patriotismo” dos supermercados e adota medidas insuficientes para controlar a situação. Estes foram os temas principais do iDeclatra na Cultura desta quinta-feira (10) que recebeu o economista e supervisor técnico do Dieese-PR, Sandro Silva.

De acordo com ele, em Curitiba dos 13 itens que constam na cesta básica, nove apresentaram aumento. O feijão, por exemplo, subiu 42%, a carne 32% e o pão 17%. “Os produtos com maior alta são essenciais para as pessoas, fazem parte do dia a dia da população”, argumentou. Uma das explicações é a alta do dólar, que faz com que o agronegócio passe a priorizar a exportação em vez do mercado interno.

“Em junho o Brasil exportou 246 toneladas de arroz e no mesmo mês, no ano passado, foram 18 toneladas. É um aumento muito expressivo, praticamente multiplicado por 12”, avaliou. Segundo ele as medidas do Governo Federal são insuficientes. “Depois de apelar para o patriotismo dos supermercados, o Ministério da Agricultura anunciou a isenção do imposto para importação do arroz. Mas boa parte das compras do Brasil são de países da América do Sul, que já não pagam impostos por conta do Mercosul”, apontou Sandro Silva. Ainda segundo ele, como o preço no mercado internacional está alto, a medida torna-se ainda mais insuficiente. “Teria que estabelecer uma cota para exportação”, completou ao citar exemplos de outros países que adotaram tal medida durante a pandemia.

“Não há empresa do agronegócio que não use recursos públicos. Seja por intermédio de empréstimo para maquinário ou para financiar a plantação. Eles usam dinheiro público para produzir e exportam, deixando a mesa do brasileiro vazia e o Governo Federal não está nem aí. As pessoas estão passando fome, não é apenas o preço dos alimentos”, criticou a diretora do Instituto Declatra, Mírian Gonçalves.

Outros exemplos de acréscimo de valores, o valor do gás, a motivação para a alta dos preços, a relação da dívida interna, por qual motivo não é possível trocar o arroz pelo macarrão como sugeriu o presidente da associação dos supermercados, o reflexo do mercado de trabalho e do auxílio emergencial neste momento de crise e outros temas relacionados você confere no vídeo abaixo, na íntegra do programa.

O iDeclatra na Cultura é transmitido todas as terças e quintas-feiras, ao meio-dia, na Rádio Cultura de Curitiba. Você pode acompanhar o programa ao vivo pela AM 930, pelo site, pela Fan Page do Instituto Declatra ou da própria Rádio Cultura.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Fotos Públicas

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