“Jair Bolsonaro soube explorar o medo das pessoas”. A análise é do presidente do PSOL, Juliano Medeiros, durante o Pensando Bem Ao Vivo, programa mensal de entrevistas do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (iDeclatra), nesta segunda-feira (3). Ele conversou com o advogado e diretor do iDeclatra, Nasser Allan, sobre as crises geradas pelo atual Presidente da República. 

Essa exploração do medo, segundo Medeiros, ocorreu inclusive no início da pandemia, quando a estrutura de comunicação que envolve a família Bolsonaro levou ao falso dilema da escolha entre salvar vidas ou a economia. “Passado mais de um ano ficou evidente que era possível enfrentar o vírus, reconstruir o país e a economia. Ele não enfrentou a pandemia, só fez confusão: teve quatro ministros da saúde em um ano. Não sei se algum país no mundo enfrentou isso. Na economia foi um desastre absoluto. Não salvaram a economia e não salvaram vidas. É uma tragédia sem precedentes. Seja sanitária ou na economia e não conseguiu sequer criar um clima de pacificação”, analisou.

A exemplo de Donald Trump, nos Estados Unidos, Bolsonaro vendeu o retorno ao passado que eles chamam de glorioso. “A extrema direita não é menos radical do que nós da esquerda que somos contra o establishment, que desejamos construir uma sociedade menos baseada neste sistema econômico. Mas esse retorno ao passado deles vem com um pacote de autoridade paterna, sobre a família, a moral cristã repressiva. É um pacote. Trump ofereceu esse pacote de valores de proteção de visões e levou consigo pessoas que estavam sofrendo com a globalização neoliberal”, comparou.

Quando questionado pelo advogado Nasser Allan sobre como a extrema-direita utilizou a defesa das pautas identitárias por parte da esquerda, Medeiros respondeu que é preciso estabelecer uma comunicação eficiente para debater este tema. “A extrema-direita articula medos a partir de uma sociedade mais conservadora que progressista. Nós não devemos mais tratar lutas estruturais como identitárias. Se as mulheres tiverem ganhando um pouco melhor, se homossexuais não forem agredidos na rua, se o porteiro do meu prédio estiver ganhando bem está resolvido. Não, não está resolvido. O racismo estrutural, o machismo estrutural, tudo isso faz parte do capitalismo brasileiro e portanto só é possível vencer o racismo se derrotar o capitalismo que ergue-se no Brasil”, comentou.

“Bolsonaro articulou sua trajetória em uma série de preconceitos e temores na sociedade brasileira: A corrupção, com a ideia de que o Estado não vai bem porque alguém está roubando. Esta ideia foi articulada durante anos e anos e culminou com o golpe contra Dilma. A outra é o medo que a deterioração social pudesse gerar uma onda de violência, com a agenda de segurança sendo pauta central. Em terceiro lugar valores, com medo que o avanço civilizatório ameaçasse o modo de vida das pessoas. Houve articulação entre esses três elementos”, garantiu.

A saída para estabelecer estas lutas como prioritárias dentro da luta de classes, segundo Juliano Medeiros, passa pela intersecção dos temas. “A nossa luta contra o machismo é estrutural. Precisamos transformar em narrativas compreensíveis de forma que não se choquem com os valores predominantes na sociedade Brasileira. Defendo uma esquerda que não seja identitária, mas também uma esquerda que não fique nos anos 70, pois não resolve só falar de emprego e soberania. É preciso uma intersecção entre os temas”, completou.

Durante o programa, ela ainda conversou com Nasser Allan sobre a tentativa de destruição das instituições, o agravamento da pandemia e ausência de ações efetivas, as falhas na economia e muito mais. O programa é transmitido, sempre pelo perfil do Instituto no Instagram, às 18h05, na primeira segunda-feira de cada mês. Clique aqui para seguir o perfil no Instagram do Instituto Declatra, aproveite para ver ou rever o bate-papo. Siga, comente, compartilhe e não perca nenhum conteúdo!

Foto de capa: Mídia Ninja

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