Desprezo pela cultura e pela história. Esse é o mínimo que se pode dizer das duas últimas gestões do Governo Federal a partir da gestão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para analisar o tema, o iDeclatra na Cultura desta terça-feira (27) recebeu o professor e pós-doutor em arqueologia, Rossano Lopes Bastos.

Segundo ele, o Iphan é uma das instituições mais perenes da república. “O seu início é em 1937, durante o Estado Novo, porque Getúlio (Vargas) percebeu que era impossível governar um País com esta dimensão continental sem se apropriar da cultura e destes instrumentos ideológicos de Estado. Getúlio bebe ali do movimento modernista de 22, chama então o Mário de Andrade e faz o grande projeto da comunhão nacional. Um projeto que pensou o patrimônio material, imaterial na sua cultura, no seu fazer e saber”, recordou o professor.

Desde então, o órgão sofreu ataques de diversos governos. “Durante a gestão de Collor de Mello, por exemplo, os funcionários foram reduzidos, passando de 4.500 trabalhadores para 1.500. Mas esse processo que passa agora tem uma singularidade porque mexe não só na estrutura do corpo técnico especializado, mas mexe também na estrutura de recursos e do fazer. O Collor mexeu nas pessoas, demitiu gente, esmagou o instituto com poucos recursos, mas não mexeu no fazer. Este governo tem um projeto genocida que tem vários braços”, completou.

O arqueólogo ainda recordou a evolução do Iphan, que passou de uma instituição que era guardiã dos patrimônios das elites, para um órgão público que atende também as minorias. “A partir dos anos 2000, com o Decreto Lei 3.551, que fala sobre patrimônio imaterial e busca nos terreiros, na capoeira, no coco, na moda de viola e em outros lugares a efervescência e a riqueza que é nossa cultura. Isso vem na esteira das cotas raciais, com novas universidades feitas a partir dos anos 2.000 a partir dos governos do PT. Aí há protagonismo e inclusão das minorias dentro deste patrimônio”, lembrou.

A partir deste momento, segundo Bastos, as elites eclesiásticas, militares e aristocráticas deixam de ter o monopólio sobre o patrimônio cultural brasileiro oficial. “Não é mais o técnico que nomeia o lugar que deve ser preservado, mas sim os grupos formadores da cultura brasileira se colocam dizendo que desejam ser reconhecidos pela viola do coxo, pelas paneleiras de goiabeiras, pela capoeira e pelo seu rito”, exemplificou.

Outros aspectos da cultura brasileira, o papel do Iphan na preservação destes patrimônios, as surpresas durante as pesquisas históricas, as dificuldades vivenciadas pelo instituto, a vala de Perus como sítio arqueológicos, outros locais históricos relacionados à Coluna Prestes, Guerra do Contestado e muito mais você conferente neste programa no vídeo abaixo.

Anote na sua agenda: o iDeclatra na Cultura é transmitido todas as terças e quintas-feiras, ao meio-dia, na Rádio Cultura de Curitiba. Você pode acompanhar o programa ao vivo pela AM 930, pelo site, pela Fan Page do Instituto Declatra ou da própria Rádio.

Foto de capa: Em outubro de 2017, exposição “A Construção do Patrimônio” celebra os 80 anos do Iphan com documentos raros, quadros e esculturas na Caixa Cultural Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / Fotos Públicas

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