Hospitais no Distrito Federal recebem pacientes à procura de uma solução para uma doença desconhecida. O diagnóstico dos médicos, a partir dos sintomas, não é uma enfermidade. Mas sim fome. A crise sanitária e econômica pela qual o Brasil atravessa está empurrando milhares de famílias brasileiras para a linha da pobreza e da extrema pobreza. O resultado é um mar de desempregados e a insegurança alimentar, que está intimamente ligada à segurança econômica.

Para tratar do tema, o iDeclatra na Cultura desta terça-feira (6) recebeu a agricultora familiar e deputada estadual Luciana Rafagnin e o advogado Welitton Gerolane. Eles analisaram a situação com a advogada e diretora do Instituto, Mírian Gonçalves e com a jornalista da Rádio Cultura, Mariane Antunes,

Um levantamento realizado pelo coletivo “Alimento para Justiça”, que reúne pesquisadores Universidade Livre de Berlim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UnB), mostrou que entre novembro e dezembro de 2020, 31,7% dos entrevistados relataram estado de insegurança alimentar leve; 12,7% moderada e 15% insegurança alimentar grave. Pior: mais da metade dos domicílios no país, 59,4%, se encontram em situação de insegurança alimentar durante a pandemia. O percentual representa 125,6 milhões de brasileiros.

Enquanto isso, segundo a deputada Luciana Rafagnin, o Brasil caminha para trás nas políticas públicas que podem gerar emprego e renda. “As reformas só serviram para retirar direitos dos trabalhadores. A Reforma Trabalhista, da Previdência e agora a Administrativa. O Governo Federal tem feito esse desmonte das políticas construídas que estavam dando resultados muito bons. ”, apontou.

Além das reformas que retiram direitos, situação foi agravada por opção do Governo Federal. O valor do auxílio-emergencial, que nos primeiros meses de 2020 era de R$ 600 após uma intensa pressão da oposição – valor desejado por Jair Bolsonaro era menor – foi reduzido para R$ 300 entre setembro e dezembro. Neste ano foi retomado em abril com um benefício ainda menor e cujo alcance também foi reduzido. Uma situação trágica para um país que conta com 3,5 milhões de brasileiros e brasileiras desocupados há pelo menos dois anos, segundo dados do PNAD, um recorde.

O advogado Welitton Gerolane destacou a união de esforços da sociedade civil neste momento. “Há inúmeras atividades de solidariedade para estas famílias. Mas quem tem feito? O MST, cooperativas de agricultores familiares e sindicatos. Não é o agronegócio”, frisou. Para ele, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, apesar das críticas, é um dos protagonistas nesse cenário. “O MST que é criminalizado pelo governo e pelos grupos sociais que têm poder político e econômico é uma das instituições da sociedade civil que mais desenvolvem políticas de acolhimento para a população desempregada e em situação de insegurança alimentar”, completou.

Nesta edição você também confere os problemas causados pela ingestão de altos índices de agrotóxicos, as mudanças no Pronaf que reduziram recursos destinados à agricultura familiar e muito mais. Confira o programa no vídeo abaixo e não se esqueça: O iDeclatra na Cultura é transmitido todas as terças e quintas-feiras, ao meio-dia, na Rádio Cultura de Curitiba. Você pode acompanhar o programa ao vivo pela AM 930, pelo site, pela Fan Page do Instituto Declatra ou da própria Rádio.

Foto de capa: Roberto Parizotti / Fotos Públicas

 

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