O orçamento de 2012 do Governo Federal prevê um corte de 90% nos recursos para o Censo. O IBGE, por sua vez, diz que não consegue fazer a pesquisa com essa verba. Quais as consequências desta ação do Governo Federal? Este foi o debate proposto iDeclatra na Cultura desta terça-feira (13). A advogada e diretora do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora, Mírian Gonçalves e a jornalista da Rádio Cultura, Mariane Antunes, conversaram com o pesquisador do IBGE, Tadeu de Oliveira, sobre o tema.

Os R$ 2 bilhões destinados para o Censo Demográfico de 2021 tiveram um corte de R$ 1,76 bilhão para a pesquisa de 2022. O último realizado foi em 2010, uma vez que a pesquisa está prevista para acontecer a cada 10 anos. “O IBGE vem desde o final dos anos 30 e realiza o censo demográfico desde 1940. O Brasil faz censo desde 1872, ainda na época do império. É um censo respeitado internacionalmente, assim como o IBGE. Está entre os melhores do mundo e agora vivemos uma situação dramática. Nunca passamos por algo parecido. Em 1990, no Governo Collor, o censo não foi feito. Mas rapidamente a sociedade se mobilizou mostrando a importância da pesquisa traz o retrato da sociedade brasileira, inclusive naquele rincão afastado”, pontuou Tadeu de Oliveira.

De acordo com ele, há uma tentativa do Governo Federal de mascarar os números e esta não é a primeira vez. “Só temos informações da pandemia porque o consórcio de imprensa passou a informar estes números. Houve tentativa de não informar. Pouco antes da posse do atual ministro mudaram o sistema de informação sem avisar. Na prática impedia que o dado fosse informado, pois as pessoas não haviam sido treinadas para isso. A intenção é não passar a informação para a sociedade. É a mesma coisa com o IBGE, com o INP. O negacionismo é isso”, completou.

Tadeu ainda alerta para o fato de que a pesquisa é fundamental também por embasar o planejamento da década. “O censo é uma pesquisa estrutural feita a cada dez anos. Essa estrutura é que vai orientar o planejamento do Brasil na próxima década. Fazer o censo agora pegaria o impacto na pandemia. Mas traria problema adicional, pois do ponto de vista do planejamento da década, não podemos crer que o que está acontecendo agora vai se estender para os próximos 10 anos. O censo leva quatro ou cinco anos sendo planejado”, comentou.

O papel da pesquisa na formulação de políticas públicas também foi analisado pelo pesquisador do IBGE. “O número de crianças aponta a necessidade de creches e escolas, por exemplo. Pode ser avaliado que para determinado município a estrutura já atende. O repasse de verbas para municípios, estrutura de saúde, entre outros, também dependem desta avaliação populacional. Até a iniciativa privada para saber a localização de um empreendimento utiliza a informação do censo. Não ter o censo é terrível. Uma coisa é não poder porque a pandemia não permite. Mas não pode deixar de ser realizado tão logo as condições sanitárias permitem”, reclamou.

A diretora do iDeclatra, Mírian Gonçalves, também pontuou a importância da pesquisa. “O Brasil é enorme, todos se referem como um País continental e é fato. Precisamos conhecer o Brasil. Precisamos saber onde as pessoas moram, qual a média de idade dos brasileiros e brasileiras, etnias, raças, como estão os povos indígenas”, exemplificou.

Veja também na edição desta terça-feira (13) a gestão econômica do País e seus reflexos, as atribuições do IBGE, como é elaborado o censo, a formulação do questionário, cruzamento de dados, os custos envolvidos para a produção da pesquisa e muito mais foram apresentados no debate.

O programa na íntegra você pode conferir no vídeo abaixo.O iDeclatra na Cultura é transmitido todas as terças e quintas-feiras, ao meio-dia, na Rádio Cultura de Curitiba. Você também pode acompanhar o programa ao vivo pela AM 930, pelo site, pela Fan Page do Instituto Declatra ou da própria Rádio Cultura.

Foto de capa: O então presidente do IBGE, EduardoNunes, durante o lançamento do Censo 2010. Wilson Dias / Agência Brasil. 

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