No sábado (17) completam 20 anos que o Banco do Estado do Paraná (Banestado) foi privatizado. Principal instrumento de desenvolvimento regional, a instituição financeira foi vendida durante o Governo Jayme Lerner e resultou em um vácuo de investimentos locais, além de deixar uma dívida que até hoje é paga pelos paranaenses. Essa história está no livro Banestado, uma história interrompida, lançado nesta sexta-feira (16).

O livro contém 21 artigos escritos por trabalhadores bancários, sindicalistas, economistas e jornalistas que contam um pouco da história da venda do banco, fato que chegou às páginas policiais da época. Organizado pela jornalista Durce Figueiredo e pela dirigente Marisa Stédile, o livro foi produzido com apoio do Instituto Declatra. O presidente do instituto, Wilson Ramos Filho, o Xixo, é responsável por assinar o prefácio da obra.

“A privatização do Banestado, rememorada neste livro, decorreu do processo desencadeado pela primeira onda neoliberal, nos anos iniciais da vigência da Constituição de 1988. Os rentistas nunca aceitaram limites à sua voracidade e investiram contra a regulação estatal”, diz trecho do texto de Ramos Filho que abre o livro.

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O advogado e diretor do Instituto Declatra, Mauro Auache, que assessora entidades bancárias há 30 anos, reforçou a importância da obra. “É imprescindível que se tenha o registro da venda do Banestado, um banco importante do ponto de vista econômico e social para o nosso estado. Um patrimônio perdido. A história, contada pelos trabalhadores e trabalhadoras, precisa deste registro e este também é o papel do nosso instituto”, apontou.

Ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Marisa Stédile, que é uma das organizadoras do livro, recordou da CPI do Banestado que mostrou diversas irregularidades: “A página 1.028 do relatório (da CPI) mostra que correntistas do banco que fizeram empréstimos junto à instituição não pagaram nem o que foi contratado. Uma empresa chamada Rio Paraná fez uma transação por intermédio do Goldman Sachs e comprou do Itaú, uma carteira de créditos, por 2% do seu valor inicial. Depois, na cobrança dos correntistas, deu desconto de mais de 50%. Todos esses correntistas, as empresas com dívidas com o Banestado e seus nomes não foram explicitados porque o juiz Sergio Moro, da 2ª Vara da Fazenda Pública, considerou o sigilo no processo e a sociedade paranaense não ficou sabendo o nome de quem lucrou com esse processo”, lembrou.

A jornalista Durce Figueiredo, também organizadora do livro, reforçou a importância da obra ter sido construída de uma forma coletiva e alerta que a privatização do Banestado deveria servir de exemplo para o atual cenário brasileiro. “Desde aquela época eu tinha essa vontade de contar como foi a verdadeira história da privatização do banco. Mostrar o que estava por trás daquilo tudo. Esse projeto ficou adormecido. Mas este ano, vendo os ataques às instituições públicas, pudemos organizar esse livro. Não foi escrito individualmente e essa é a riqueza, pois temos a visão de mais de 16 funcionários que contam o fato a partir do seu ponto de vista. Vale a pena as pessoas lerem esse livro porque mais do que lembrar a história de um banco importante para o desenvolvimento do Paraná, mostra como este processo de privatização foi fraudulento. São 20 anos sem nada para comemorar, só lamentar. Que siga de exemplo para evitar que o mesmo aconteça com outros bancos públicos e estatais”, avisou.

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