O jornalista Juca Kfouri foi o entrevistado Pensando Bem Ao Vivo desta segunda-feira (14). Ele conversou com advogado e diretor do Instituto Declatra, Nasser Allan, sobre política, futebol, esporte e o cenário brasileiro. “Não tenho o menor medo, só tenho desprezo, que é o que essa gente merece”, disse Juca sobre avanço da extrema-direita no Brasil.

A afirmação ocorreu quando o jornalista lembrou de quando foi preso pela ditadura militar e comparou com a situação do Brasil em 2020. “Na mais terrível noite da minha vida, quando fui interrogado por um jovem com uma máquina de choque na frente, a única coisa que eu era capaz de elaborar mentalmente é que eu não podia fraquejar. Meus filhos terão orgulho de mim um dia porque eu resisti. Só isso que pensei. Hoje em dia eu olho para as minhas netas mais ou menos com o mesmo olhar: preciso continuar a lutar, me expor, tratar cada vez menos de futebol e cada vez mais de política porque não posso permitir que elas e meus filhos vivam o que eu vivi e quero que elas se orgulhem de mim. A diferença 50 anos depois é que eu tinha muito medo daqueles que me interrogavam no Doi-Codi, hoje eu não tenho medo desta gente”, recordou.

Juca também analisou os padrões existentes entre o futebol e a estrutura política no Brasil. “São duas faces da mesma moeda. Num país com os problemas não resolvidos que o Brasil tem, seria até ingênuo dizer que o futebol teria características que o País não tem. O futebol reproduz estas características e de certo aspecto de maneira até mais reacionária”, comparou. “A superestrutura do esporte brasileiro é absolutamente avessa à ideia de mudança. Ela ultrapassa a característica do conservadorismo. Quem é o bom o conservador? É o que deseja preservar o que dá certo. A superestrutura esportiva é reacionária, ela não aceita mudança. Há anos vive de suas irregularidades, dos seus deslizes, da impressão de falta de amadorismo e se abastece disso”, completou.

Kfouri também conversou com Nasser Allan sobre o seu histórico de combate à ditadura, manifestações das torcidas, o papel dos atletas além do esporte, futebol e a democracia, ex-dirigentes esportivos presos, as tentativas de censurar abordagens políticas na cobertura esportiva, a visita ao ex-presidente Lula na Polícia Federal, os ataques que sofreu durante o Golpe de 2016, a construção de uma frente ampla no Brasil, a importância das eleições de 2020 e o perfil conciliador de Lula. Confira estes temas e muito mais acompanhando a entrevista na íntegra no player abaixo:

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