Por Normando Rodrigues*

Que voltem os juízes aos seus devidos lugares, dando exemplo moral à milicada. E que se dediquem ambos à famosa “autocrítica”, por dever de honestidade!

Os que vestem toga deveriam começar por reconhecer que a Lava Jato desempregou 4,4 milhões de brasileiros, e privaram o país de 172 bilhões de reais em investimentos, e de 47,4 bilhões de reais em arrecadação.

Aos militares resta admitir que sua competência se limita a matar gente, como atestam desnecessárias 270 mil mortes, aliás, computadas por civis, pois nem para isso serviram os “especialistas em logística”de rouba camuflada.

Ronda
Juízes e militares têm ainda um escape “honrado”. Basta pedirem a antológica “licença para trabalhar”, sair de fininho da política, e voltar a cuidar de suas respectivas atribuições constitucionais.

Quem nunca sairá da arena política é o “mercado”, aquela fantasia sob ao qual se escondem figuras como Micheal Klein, que do alto de sua pequenez declarou ao “Estadão” que Bolsonaro faz “o melhor trabalho possível”quanto à pandemia.

O “melhor possível” para Klein é o negacionismo contra vacinas, contra máscaras e contra o distanciamento social. Claro, as Casas Bahia lucram mais sem lockdown. Mas há algo mais significativo na entrevista do empresário: “Acho que o presidente está fazendo um bom trabalho. Está sendo bem autoritário, bem decisivo. (…) renovaria por mais quatro anos”.

O Brasil
A promiscuidade entre o “mercado” e o fascismo vem de longa data e revela a identidade genética entre a ideologia de Bolsonaro e o liberalismo, a qual incomoda aos mocinhos de sapatênis: o que importa para ambos é o “eu”. Os pobres que se lasquem.

No entanto, a agenda tornada necessária pela catástrofe da pandemia é exatamente a oposta à do fascismo e do liberalismo. Os brasileiros precisam de um plano social emergencial, com metas principais reunidas em duas palavras:

Vacinas e empregos
Um plano construído e legitimado democraticamente nos debates políticos, e depois submetido ao teste das urnas, sem golpes, sem “pronunciamientos”, sem sobressaltos, sem milicianos ou procuradores.

Para isso é preciso que a arena política seja “desembargada” dos autoritarismo que hoje a caracterizam, e que tanto alegram aos Michel Klein da vida.

O Brasil não precisa nem de juízes, nem de militares, para garantir vacina e empregos. Nessas áreas, ambos demonstraram largamente suas incompetência.

*Normando Rodrigues é assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.

Foto de capa: Marcos Corrêa / PR / Fotos Públicas

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